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"Dom Quixote" e os moinhos...

Dom Quixote e os Moinhos.jpg


Dom Quixote e os moinhos de vento!



D.Q.- Sancho, onde estás? Esta encruzilhada é de terras de Aguieira?


S.P.- Senhor, vinde ver… É este o monstro, desgrenhado e horrendo que falaras?


D.Q.- Sim, diz a lenda que outrora fora um moinho de vento e que servira para elevar a água para matar a sede das culturas….dos plebeus e de senhores do feudo.


S.P.- Deixai-o em paz senhor, ele repousou durante décadas, e não fará mal a ninguém!


D.Q - Sim, mas ele impressiona-me, é compulsivo este sentimento, certamente poderia dar uma boa luta, quão desfigurado que está…


S.P.- E não haverá valoroso cavaleiro que por mui nobre causa se interesse?


D.Q - Haver há, mas certamente há muito que se habituaram à sua presença, ao ranger dos seus dentes que se calou e, ao silêncio da sua decrepita figura qual ex-libris se tornou!


S.P. – Sim, mas para reprovação de outros reinos vizinhos e de quem passa… Repare senhor, quando tombar por terra, cangalheiros disputarão a sua carcaça, será uma boa quezília e um bom quinhão de partilha!


M.F. – Ai cavaleiros, olhai para a minha sina, eu, Maria da Fonte, enquanto bela eu fui, todos me cortejaram, e os mais belos, os mais pobres, os mais ricos os menos aventurados, todos deste reino outrora com seus lábios suavemente me tocavam. Em troca de uma vénia eu saciava os seus desejos… ai que saudades, mas assim quis o destino que depois de velha o vil progresso me laqueasse a essência da minha fecundidade e quase todos me negam o direito à vida ou o respeito para a eternidade! E agora que voltada ao abandono, o meu estéril ventre há muito deixou de saciar os desejos de quem passa, só alguns me cortejam, mas, para desengano meu, apenas para me afixarem pregões e arautos… Sem respeitarem o meu mui nobre passado!


M.V. - Misericórdia senhor, misericórdia, respeitai o meu silêncio, que de tanto devorar em gula desenfreada, nortadas e ventos de sul, rajadas do leste e correntes de ar do oeste, pelo pecado da gula padeci.


D.Q.- E porque terei piedade de tua decrepita figura, horrendo monstro?


M.V. - Porque de mim, oposição não tereis, ide meus bravos, ide, mas em direcção à Póvoa, aí contornareis híbrida fonte em rotunda mui asseada e mais adiante no solar da Póvoa podereis defrontar-vos com o meu parente afastado, que continua a rodar vezes sem conta até que de silêncio se vista… E pelo caminho não demorareis a procurar por meu parente da Aldeia porque esse, à muito pereceu…


S.P. - Senhor, não demoremos mais nesta decrepita encruzilhada, outros desígnios nos esperam…


D.Q.- Assim será, Sancho, assim será…


E partiram em direcção a outras lutas e outra quimera …



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Que Cervantes me perdoe o plagio e que Gil Vicente não compare o estilo, mas este texto é uma sátira, em que S.P. é um imaginário Sancho Pança, D.Q. Um inexistente Dom Quixote e M.F. a fonte existente no “largo do Calais” na Aguieira e o M.V. o abandonado e decadente moinho de vento que ladeia o Largo de S. Miguel também na Aguieira.


Efectivamente quer o moinho de vento que é propriedade privada ou a fonte que é monumento público estão ao abandono. Por isso talvez este texto em mal amanhado jeito “Vicentino” de escárnio e maldizer, possa causar alguma motivação e finalmente reproduzir alguma atitude positiva.


A alusão ao moinho de vento serve para que alguém possa tomar uma decisão e promover o seu conserto, por exemplo, porque não as próximas comissões de festas da Aguieira contribuírem para um fundo com esse propósito?


Na Aldeia, defronte à Auto-Branco antigamente havia um moinho de vento, alguém terá essa fotografia?


Na Póvoa existe um moinho de vento que está a funcionar. Este património deveria ser classificado como de interesse público porque são pontos de referência que marcam as localidades e as gerações que nelas crescem.


Quanto à(s) fonte(s) essa responsabilidade cabe à edilidade tomar uma atitude para preservar esse património que é de todos. A fonte em destaque “serve” esporadicamente para afixar editais e publicidade. Na Rua das Figuras Populares uma já desapareceu e na Arrancada uma serve para que alguns moradores sem escrúpulos façam dela um receptáculo de sacos de lixo!


Certamente os mais carismáticos pensadores de Valongo do Vouga comungam da essência deste texto, vamos seguir a corrente ou desviar o olhar?
























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