Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Valongo do Vouga

Notícias sobre Valongo do Vouga

Valongo do Vouga

Notícias sobre Valongo do Vouga

Soltem os prisioneiros

Confesso que estou a ficar um bocado cansado, para não dizer farto, com a história deste dito realizador português preso no Dubai, por ter consumido droga num país em que, estava farto de saber, isso é punido por lei, ainda que a tal droga chamem ligeira. Não há noticiário que não fale da criatura e até o senhor presidente já se meteu no assunto a pedir clemência às autoridades do país em questão. Primeiro, não entendo o que é isso de droga ligeira. Sou infelizmente fumador e sei que há cigarros com mais e menos nicotina (e outras inas que para aqui não são chamados), mas são todos cigarros. Também bebo e sei que o teor alcoólico das diversas bebidas não é o mesmo, sendo que um bêbado é sempre um bêbado, quer se embriague com cerveja quer com whisky. Falta explicar-me, a mim que tenho a cabeça pequenina para este tipo de questões, por que é que uma droga é leve e outra é pesada?! Já estou a ver um outdoor numa qualquer cidade – “Embebede-se com a cerveja x porque é mais leve”. Afinal caiu o Carmo e a Trindade porquê? Porque no Dubai (país não só riquíssimo como também evoluidíssimo) um português que, por acaso, é realizador, consumiu uma droga ilícita e foi condenado? Sabem os meios de comunicação e eventualmente o poder político que no Dubai, não a fazer turismo mas a ganhar pão para a família, há portugueses a trabalhar arduamente na construção civil e não consta que tenham sido presos por terem cometido o mesmo crime. Em Espanha, aqui tão perto e afinal tão longe, soube-se há dias que há dezenas ou centenas de portugueses a ser explorados, roubados e até espoliados da sua dignidade. A notícia durou apenas um dia. Não ouvi o poder político a dizer que estava a negociar com as autoridades espanholas a libertação destes escravos do século XXI. Poderia, eventualmente, se o espaço de uma crónica o permitisse, dar aqui um sem número de exemplos da nossa história recente. Desde logo com as mulheres que, todos sabem, são espantadas de Portugal e vão ali para 20 km da fronteira fazer o mesmo que as levou a serem corridas do lado de cá. Isto só vale uma pequena notícia, rápida e de um dia, quanto muito dois. O realizador dá entrevistas às televisões, às rádios, assumindo que consumiu drogas e tudo isto passa nas rádios e televisões em horário nobre pedindo clemência às autoridades portuguesas. O que hão-de pedir senão clemência as centenas de jovens que entopem as cadeias portuguesas exactamente por terem cometido o mesmo crime, isto é, consumirem drogas? Se tinham menos nicotina ou menos alcatrão ou menos teor alcoólico, não eram senão drogas. E produziram o mesmo efeito: cadeia. De modo que, cá para mim, que como disse fui dotado com um simples cérebro de passarinho, ou há moralidade ou comem todos. E assim sendo libertem o famoso do Dubai, mas por favor, soltem os prisioneiros que neste país cometeram o mesmo erro. P.S.1: Já sei que uns quantos iluminados dirão que em Portugal não se é preso por consumir drogas ditas leves. Sim, eu sei, mas sei também porque dei morada na minha própria casa a alguns toxicodependentes que hoje estão presos por culpa das consequências desta sua “doença”. Quase todos começaram o caminho que os levou a este triste final por consumirem as ditas drogas leves. Os incrédulos podem ver as estatísticas que estão publicadas e disponíveis para todo e qualquer um que as queira consultar. Por mim, não preciso de consultar estatísticas, porque conheci, vivi e experimentei ajudar à libertação de muitos daqui das nossas terras. Por isso, não canto de galo. Falo do que sei. P.S.2: Gostaria ainda de saber quanto terá custado a cada contribuinte a arquivação do processo do realizador... Afinal, quantos investimentos fez a diplomacia portuguesa para libertar da respectiva pena o português que acendeu um charro num país onde só vai quem tem dinheiro ou precisa mesmo de trabalhar - e, portanto, não tem para charros?

 

Texto enviado pelo Padre João Paulo Sarabando

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2005
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D