Notícias sobre Valongo do Vouga
Segunda-feira, 4 de Abril de 2005
O profeta do século XX
Se à ciência humana for consentido imortalizar uma personalidade do último meio século, João Paulo II reunirá inequivocamente multidões. Assim foram os 27 anos do seu Pontificado: anos do mistério do homem que mais gente congregou, mais emoções gerou e mais causas mobilizou. João Paulo II foi, justamente, um homem de multidões. Conhecia-lhes a psicologia, a Fé e a sensibilidade. Acolhia-as com genuinidade e afecto. À semelhança de Jesus Cristo, não foi indiferente a ninguém. Foi profundamente odiado, mas, acima de tudo, profundamente amado.
Homem forte, de sólidas convicções, Carol Wojtyla não teve medo de enfrentar nenhum governo do seu tempo. Teve, aliás, a ousadia de contrariar tradições, romper com convenções e reinventar as mentalidades contemporâneas. Tratou com audácia questões como a família, a sexualidade, a mulher, a velhice, a doença e a deficiência. Foi ele próprio um velho com perseverança e persistência. Assumiu-se como doente que não resigna às fragilidades do corpo. Não escondeu a sua condição física, desafiando um mundo que encobre a insuficiência, a imperfeição e a debilidade do corpo. Decidiu morrer junto dos seus e rodeado pelos que constituíram a sua família.
Poderia parafrasear-se o centurião que, aquando da morte de Jesus, disse “Este homem era de facto filho de Deus”. João Paulo II era certamente um homem de Deus. Amou incondicionalmente os pobres. Era um obstinado pelos valores do Evangelho e um vaticinador do ecumenismo. Foi, também por isso, o verdadeiro profeta do século XX.
Seguro da força da aurora da vida, à juventude confiou a tarefa mais nobre para a humanidade: a de ser a paz em movimento. Terão sido os jovens aqueles que convocou no momento terminal da sua vida. Com eles partilhou o vigor do seu Pontificado. Com eles quis entregar-se lucidamente aos desígnios de Deus.
Figura ímpar, estimável e historicamente ilustre, João Paulo II é, creio, a personalidade que mais determinantemente marcou a Igreja Católica e o mundo. Não é, portanto, o momento de os fiéis se sentirem abandonados. É, sim, tempo de os cristãos sentirem a pesada responsabilidade de ouvir o Espírito Santo e encontrar o justo herdeiro deste legado, sobretudo no que concerne ao imperativo de a Humanidade abrir as portas da Igreja a novas realidades, novas culturas, novas preocupações. É também por isso desejável que o próximo Papa, venha de onde vier, não venha jamais da velha Europa. Quiçá de África, da Ásia ou da América do Sul.


publicado por Filipe Vidal às 23:24
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1 comentário:
De Filipe Vidal a 5 de Abril de 2005 às 00:05
Confesso que já tinha para este fim-de-semana preparado um texto para publicar, assinalando um mês de existência deste blog, mas, a morte do nosso Papa, João Paulo II, amoleceu a minha vontade... mas, como diz o nosso Pároco, não devemos sentir-nos abandonados, por isso depois de ler este texto, sinto renovada a intenção de continuar a dar que falar pelo nosso Valongo do Vouga...


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