Notícias sobre Valongo do Vouga
Quinta-feira, 28 de Abril de 2005
Horário escolar do 1º ciclo vai ser alargado ?
Na TSF online de 27-04-2005 pude constatar a intenção da Exª Srª Ministra de Educação que pretente alargar o horário do primeiro ciclo com mais duas horas e meia, ou seja os alunos sairão às 17:30.

Isto a favor do estudo acompanhado e reforço do estudo da Matemática, inglês e outras actividades extracurriculares.

Uma medida positiva…

Sim, poderá ser uma antevisão de uma medida positiva, mas ainda sem ver a luz ao fundo do túnel, há demasiadas dúvidas para resolver.

Não posso questionar o problema à escala nacional,(até penso qua a medida poderá ser muito benéfica e adequada em muitas zonas do nosso país) mas posso levantar algumas dúvidas pelo que me que me é dado a conhecer pelos exemplos que me rodeiam ou que imagino que possam suceder !

O trabalhador que sai às 17:00 e que consegue em 30 minutos chegar à escola onde estão os seus filhos, não terá que se preocupar com esta medida.

O trabalhador que sai às 18:00 Já vai ter que recorrer (ou continuar a recorrer) a um sistema de acolhimento para o espaço de tempo depois do fim das aulas.

Esta nova reforma, prevê esse facto? O professor fecha a sala de aulas e remete-se para as auxiliares de educação, a missão seguinte, a vigilância até que a criança seja entregue ao encarregado de educação. Vamos aumentar a frágil situação que já se vive actualmente no período do almoço, em que centenas ou dezenas de crianças são vigiadas nos recreios por insuficientes meios humanos? Não podemos esquecer que temos durante o ano lectivo um longo período de tempo em que a saída das crianças será então realizada, já sem a luz do sol, ou seja com maior probabilidade de falhas de segurança na sua vigilância.

Os transportes que são assegurados pela autarquia (caso exemplar da nossa Freguesia, o que se pode dizer de “dado e arregaçado”) vão ter que se adaptar a esta medida? Os funcionários vão alargar o seu período de trabalho? Ou a flexibilidade do seu horário vai ter que ser alterado em função desta medida?

Os ATL vão deixar de ser um espaço também de aprendizagem e vão migrar para simples entrepostos onde as crianças ficarão “30 ou 60 minutos” ou pouco mais que isso a aguardar que os pais as venham buscar?

Os Pais vão continuar a pagar o mesmo por um serviço “diferente” ?



Ou vão os ATL face à possível desistência de muitos pais, acabar por reduzir o seu quadro de pessoal e assim contribuir para mais desemprego e pobreza social? Será difícil perceber a diferença abissal entre a apetência de uma criança saída de um ATL e de uma criança em “roda livre”?



Se este cenário subsistir, depois de terem destruído este suporte social (que tanto ainda teria que melhorar), a quem vamos deixar as nossas crianças nas férias escolares? Na rua ? Na ama sem qualificações específicas, a ganhar pelo serviço e pelo favor prestado, mais um motivo para não declarar rendimentos e o estado não ver a possibiliade de imposto arrecadado?



Se calhar vou ser mal interpretado, mas se as famílias se preocupassem verdadeiramente com o acompanhamento da evolução da aprendizagem das crianças, provavelmente estas questões não seriam levantadas e tudo isto seria uma falsa questão.




Se calhar se durante o período lectivo houvesse um verdadeiro e eficiente piquete de professores disponíveis para substituir as faltas dos professores colocados, aí sim, havia nota positiva…




Já agora, alguém pensou verdadeiramente nas crianças, ou a vergonha dos resultados que pioram de ano para ano é que é o móbil político da questão?

Vão meter as crianças todas no mesmo patamar e o " 20% ou 30% dos insucessos existentes" e vão “penalizar” os restantes e, assim ficam “todos de castigo” com mais 2 horas e meia?



Com algum alívio e com alguma preocupação, esta ideia fica condicionada ao debate local com as Autarquias e Associações de Pais e Agrupamento de escolas.



Pode ser que a educação que é um direito igual para todos, possa continuar a ser vítima das assimetrias que tardam a ser corrigidas, mas com o benefício da dúvida de que cada agregado possa decidir qual a “melhor forma” de produzir efeitos na educação dos seus filhos e, que cada comunidade local, com a sua realidade própria, possa traçar as suas metas para que as intenções passem à prática e não esbarrem em meras medidas emblemáticas e reflexos produzidos pela troca da cadeira do poder!

Valongo do Vouga merece melhor!


Nota: pese o facto de ser representante dos pais da Escola EB1 de Arrancada do Vouga e Presidente da Assembleia da APAEV- Associação de Pais do Agrupamento de escolas de Valongo do Vouga, este artigo é a minha posição pessoal . Corrijam-me nos pontos em que estiver enganado para que entre os meus pares eu possa ter uma atitude mais refletida e “corporativa”!

Obrigado!


publicado por Filipe Vidal às 23:10
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2 comentários:
De Vtor Martins a 30 de Abril de 2005 às 09:11
Felicitações, em primeiro lugar, para o Filipe Vidal por este espaço de debate. Valongo do Vouga merece.
Sobre a questão em referência, precisamos de saber mais pormenores para um juízo correcto, mas o Filipe já apresenta diversas reflexões pertinentes.
Também concordo com a opiniãso expressa pelo professor Pedro Ferreira, nomeadamente quanto ao paradigma educativo.
Uma medida avulsa, sem correlação com outras (a aplicar na escola e na "família portuguesa"), de pouco servirá. Portugal precisa de um pacto de regime na área da Educação, com uma política consistente para pelo menos dez anos.

Vítor Martins


De Pedro Ferreira a 29 de Abril de 2005 às 10:38
Em primeiro lugar, e como filho da terra, quero saudar a iniciativa de colocar Valongo do Vouga no "mapa cibernético". Em segundo filicitar o Filipe Vidal pela iniciativa de reflectir e "pôr a pensar" quem é da terra sobre a sua terra.

Resolvi comentar esta reflexão, por dois motivos: porque sou professor (embora alguns ciclos à frente do 1º) e porque simultaneamente me dedico ao trabalho com crianças na área da ciência.

Antes de tudo esta questão das 2,5 horas é mais uma medida avulsa dos políticos da nossa praça. Na realidade, e por si só, não vai representar mais do que algumas dores de cabeça (que aliás o Filipe Vidal enuncia).

As grandes questões de fundo continuam por resolver:
- mudança do paradigma pedagógico vigente nas escolas (deve-se acabar com o ensino e promover a aprendizagem)
- mudança do paradigma de gestão das escolas (os professores ensinam e os gestores gerem)
- dar espaço às crianças para crescerem (e crescer não é só estar sujeito às regras do ensino)

São só algumas ideias, algumas polémicas, para espicaçar o vosso intelecto...


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