Notícias sobre Valongo do Vouga
Sexta-feira, 4 de Novembro de 2005
Era uma vez....
Era uma vez um sector da indústria… era uma vez um grupo de pessoas que sonhou em construir algo rentável, produtivo com o desiderato de ter tecnologia e “saber fazer” capaz de vencer desafios de um mercado… Vencer a ousadia ou determinação de semear a sua ideia, na aldeia que lhe viu nascer essa força de vontade…Era uma vez um mercado que desamparado por não ter uma política de proteccionismo mercantilista, desabou pela força dos produtos importados do oriente… ou pelo infortúnio da diferença cambial da Libra face ao antigo Escudo ?…

Era uma vez centenas de pessoas que se envolveram nesse épico crescimento…Quase mil trabalhadores chegou a ter. Quantos foram os que passaram por esse percurso? Quantos mil?

Essa indústria nasceu, floresceu e atingiu o estatuto de uma das 100 maiores de Portugal, maior entre o universo dos diversos sectores produtivos, e Portugal tem,ou tinha muitas unidades produtivas de sucesso.
Um misto de obsoleto e tecnologia de ponta salpicou o percurso do crescimento dessa indústria. Nem dois incêndios de proporções dantescas, deitaram por terra esse gigante…sobreviveu com essas cicatrizes, qual fénix renasceu. Percursos cosméticos de alteração de constituição de sociedade, serviram de mutação da sua sustentabilidade. Fez prosperar muitos lares, fez prosperar um universo financeiro e social, em forma de satélite, prosperou, amadureceu e diversificou investimentos. Fez muitos amigos que ainda anualmente se reúnem em saudosismo por um tempo que já não volta. Proporcionou gratidão, e proporcionou a ingratidão, finalmente, mais uma vez proporciona, vazio, porque mais uma falência deitou por terra a esperança dos que obstinadamente teimaram manter-se fieis a uma causa. Por fidelidade ou porque essa tábua rasa, seria a única forma de ter ainda um horizonte no fim de um ciclo de vida, resignados a uma sorte cativa pela força dos anos … Restou cerca de uma centena de resistentes…. Compulsivamente atirados para o fundo…. de desemprego…


Restava uma indústria que já não justificava a poluição que causava… o verso da moeda há muito que estava corroido e o esplendor de outrora já não ofuscava ninguém. O vil metal ainda iludiria?
Não diria declínio “nem vaticinaria o dia do juízo final”, porque a esperança será a última a morrer, a cratera que aí jaz, não deverá ser ocupada por abandono, certamente outra fénix mutante prepara-se para levantar asas, qui ça?

Esperamos certamente que uma vez que um mal, apenas venha por bem e que se conclua que efectivamente se fez um funeral de uma das mais nefastas poluidoras da nossa freguesia, e que uma outra reencarnação financeira não nasça de uma viabilidade logística, mascarada com uma viabilidade social, e a implantação e arranque de um seu sucedâneo seja de acordo com o respeito do meio ambiente.

Se não somos competitivos, se não somos tecnologicamente desenvolvidos, se não somos financeiramente astutos, ao menos que sejamos simplesmente inócuos …

Vira-se a página ..haverá surpresas? outros dias virão….


publicado por Filipe Vidal às 22:07
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