Notícias sobre Valongo do Vouga
Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2006
Carta aberta ao Pai Natal
Todos os anos, por esta altura, apareces por aí todo sorridente, feito herói e com um ar um bocado convencido. Confesso-te que és uma criatura por quem tenho cada vez menos simpatia. E para agravar o meu desagrado, vens cada vez mais cedo. Sabes, não gosto de gente que anda pelos telhados e entra em casa das pessoas pela chaminé.

Já foi tempo em que poderás ter sido considerado um encanto. Vinhas então rapidamente numa só noite dar presentes aos meninos pobres. Com o tempo, tornaste-te num velho gordo que se exibe em tudo quanto é canto para tentar impingir sobretudo aquilo que não interessa a ninguém. E como disse, vens cedo, cada vez mais cedo. Ganharás à comissão pelos dias de trabalho?

Lamento desiludir os que ainda acreditam em ti, mas de há uns anos para cá tenho tentado dizer aos adultos e sobretudo às crianças que te tornaste num ladrão. Instalaste-te, roubaste o Natal ao Menino Jesus e agora, talvez pelo espaço que ocupas, não deixas lugar para mais ninguém.

Ora o Natal, pelo menos o meu Natal, é aquele do menino Jesus. Quando era pequenino, mesmo pequenino, desde logo a minha mãe me explicou que o Natal era dele e numa meia, uma meiazinha pequena onde não coubesse muita coisa, o Menino Jesus dava saúde aos pais para nos comprar presentes.

Com o tempo, apareceste tu, um velho com um saco farto e grande; não bastava seres feio, nota-se cada vez mais que já não vens para dar saúde, porque o teu físico é mau exemplo (és barrigudo e mal jeitoso! Deves andar a comer muita comida de plástico e devias saber que isso é um mau exemplo para as crianças.); vens é para vender; vender de tudo e em todo o lado. Até já te vendes a ti mesmo. Já te encontrei por aí a vender fotografias de ti mesmo com crianças ao colo (Já reparaste que algumas até choram por olhar para a tua cara? As tuas barbas não têm piada para todos os meninos!)

Assim sendo, deixa-me dizer-te que se calhar vou arranjar um clube anti-Pai Natal. Digo-te já que pelo menos um número muito considerável de crianças, a quem tenho tentado passar a mensagem, se vão inscrever com muito gosto neste clube. Porque também elas já foram enganadas.

Olha, a mim não me enganas mais. O meu Natal vai continuar a ser o tal do Menino Jesus. E quero-o cá em casa. Se Ele quiser, até pode ficar o ano todo. Agora, tu… livra-te de trepar ao meu telhado. Por mim, se caíres este ano e não puderes voltar para o ano tanto melhor para todos.


Artigo de Opinião publicado no Semanário Região de Águeda por João Paulo Sarabando Marques, Pároco da Freguesia de Valongo do Vouga


publicado por Filipe Vidal às 00:04
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